A NOVA CONSULTORIA, exigências e principais características!

Muito se fala atualmente na “Indústria 4.0”, quarto movimento da Revolução Industrial onde o armazenamento de dados e informações “em nuvem” e o oferecimento de soluções via tecnologias acessíveis e rápidas dão o tom de uma nova relação entre serviços e clientes. Mas o que isso representará na atuação da Advocacia e da Consultoria especializada? De que forma devemos nos adequar às exigências que estas mudanças trazem hoje e trarão nos próximos anos?

Penso que a primeira reflexão a ser feita é definitivamente encarar que a mudança já ocorreu, o mundo profissional (como o mundo em geral) mudou completamente nos últimos dez anos e mudará nos próximos. Nesse contexto, tenho a convicção de que alguns marcos serão baluartes do que o mercado exigirá daqui em diante, não somente a nós, profissionais da área de Direito e Gestão Ambiental como aos demais ramos do conhecimento jurídico. Eis os principais:

1.      Digitalização integral de documentos, não só de procedimentos internos das corporações como todo e qualquer ato, licença, código de conduta, processos e procedimentos, infrações, documentação pessoal interna etc. O “mundo 4.0” pressupõe a transmissão massiva de dados em rede, e estes precisam estar disponíveis a qualquer momento, 24 horas por dia;

2.      Monitoramento por Sistemas de Gestão cada vez mais sucintos, ágeis e amigáveis à interatividades com o cliente e operadores em geral. Sim, se o seu escritório ainda utiliza os famosos fichários processuais ou não procurou promover a melhoria de processos via Sistemas de Gestão modernos e rápidos nos últimos anos, sinto informar-lhe que seu lugar repousa em algum local entre os anos 90 e 2000, não nos dias de hoje. A adoção da gestão interativa, seja para medir o nível de atendimento da clientela, o cumprimento e monitoramento de requisitos legais e processos já é uma realidade há alguns anos e se acentuará de forma assustadora nos tempos vindouros, mas atentem-se, a experiência tem me revelado a ojeriza cada vez mais explícita aos “Elefantes Brancos” da gestão. O cliente quer simplicidade e interatividade, o bom Sistema de Gestão precisa ser simples, moderno, acessível, bonito e extremamente intuitivo. Esqueça a ferramenta com um milhão de funções e necessidade de treinamentos exaustivos. Isso morreu;

3.      Consultoria e validação de informações de modo remoto. Essa é uma tendência bastante presente, ainda posta à dúvida pelas mentes mais tradicionais, porém irremediável. Os grandes ônus impostos à clientela por logísticas caras e difíceis, em contraponto aos enormes avanços da tecnologia de comunicação (videoconferência em 4k, transmissão de documentos por modalidades diversas) impõem uma nova visão à atividade da consultoria, mais flexível ao trabalho remoto e mais capacitada e preparada para executá-lo. A era da produtividade aliada à capacitação técnica com o uso da tecnologia de ponta é de absorção obrigatória ao profissional que não queira se ver ultrapassado. Executar um bom trabalho de assessoria com validação de documentos “On line” a custo logístico próximo de zero é a palavra de ordem e trará inúmeros frutos aos escritórios operacionalizarem eficazmente esse modal. Hora de abrirmos as mentes, antes que outros o façam;

4.      Investimento em capacitação técnica afiada e diversificação do conhecimento. É evidente que tecnologia sem conteúdo não atingirá seus objetivos. Hoje identifico de forma muito sólida a necessidade de capacitação e diversificação profissional. Apenas o conteúdo técnico apurado fará enorme diferença na execução dos serviços e uso das tecnologias aqui descritas, e isso tem sido um grande fator de preocupação. Profissionais com níveis de saber rasos e avessos à profundidade de pesquisa dominam o mercado. Mais que isso, hoje a necessidade de diversificação de conhecimento é premente. O bom profissional de Direito e Gestão Ambiental, por exemplo, precisa ter sólidos conhecimentos de Governança Corporativa, “Compliance”, interação tecnológica em Sistemas diversos, noções de Gestão Empresarial, de Negócios e de Pessoas. A era da consultoria sem estratégia também acabou, o profissional precisa cientificar-se de que, além do conhecimento, cada vez mais lhe serão exigidos atributos que ajudem o cliente a obter os resultados pretendidos. É o que chamo de “Consultor-estrategista”;

5.      Humanização das relações comerciais. A boa prestação de serviços se confunde com a própria noção de boa convivência. Valores como inteligência emocional, respeito às diversidades e incorporação destes fatores ao trabalho diário e pautado em conhecimento constituem as verdadeiras “commodities” do bom e moderno profissional. Enxergar de modo humano e competente as necessidades do cliente, traduzi-las em forma de indicadores sérios e factíveis e auxiliar eticamente na execução dos mesmos é caminho sem retorno e é bom que escritórios e profissionais autônomos percebam isso, ou serão fatalmente realocados no limbo do ostracismo profissional que acomete os indivíduos resistentes à mudanças de tempos em tempos.

Alguém consegue apostar como será o mundo daqui dez anos? A resposta evidentemente é “Não” mas tentar antecipar algumas tendências já é possível e nesse texto procuro jogar alguma luz no que acredito serão as exigências imediatas de mercado para o nosso setor. Estejamos alertas e preparados mas acima de tudo com nossas mentes abertas. O futuro é hoje e nos pertence!

Por: Luciano Ricardo da Silveira, Advogado e Consultor Empresarial Especializado.
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