Advocacia 2.0

ADVOCACIA 2.0 É TEMA DE BRUNO FEIGELSON NO AURUM SUMMIT 2017

Você imagina o futuro do Direito sem o uso crescente da tecnologia? Para o advogado e empreendedor Bruno Feigelson essa não é, nem de longe, uma possibilidade. Presidente da Associação Brasileira de Lawtechs & Legaltechs (AB2L), ele tem certeza que a tecnologia para advogados chegou para ficar e já está revolucionando o mercado jurídico.

Além de ser responsável pela AB2L, Bruno é sócio do Lima Feigelson Advogados e CEO do Sem Processo, uma startup jurídica que viabiliza acordos rápidos entre advogados e empresas. Sempre atento às novidades do mercado e às novas tecnologias, Bruno Feigelson é um dos palestrantes do Aurum Summit 2017, com o tema “Advocacia 2.0”.

Para apresentar um pouco do trabalho de Bruno e aquecer os motores para o Aurum Summit 2017, que vai acontecer em São Paulo no mês de novembro, conversamos com ele sobre carreira, o perfil do advogado 2.0 e também sobre o presente e o futuro da tecnologia para advogados. Confira a entrevista completa:

Como você começou na advocacia?

Bruno Feigelson: Sempre me interessei muito por Direito, foi uma coisa muito vocacionada. Eu sempre vi o Direito como as regras da sociedade e eu queria, de alguma forma, entender os meandros e conhecer os códigos da vida, do dia a dia. Eu comecei na advocacia em uma empresa. E a advocacia dentro de empresa tem uma particularidade, que é uma visão de negócio: você tem que entregar resultados. Depois de trabalhar nessa empresa, a gente abriu o escritório e eu segui nesse caminho da advocacia.

Além de sócio-proprietário de um escritório de advocacia, você é CEO de uma startup de lawtech. De onde surgiu o interesse em estudar e empreender na área de tecnologia para advogados?

Bruno Feigelson: A gente abriu o escritório em 2010. A partir de 2011 a gente começou a diversificar um pouco a atuação. A gente atuava mais em mineração e continuou nesse sentido, mas abriu também uma frente tecnológica. Eu comecei a atuar para grandes clientes e passei a sentir um movimento muito grande de relação entre grandes empresas e startups e isso me estimulou a ir para a tecnologia.

Então eu comecei a entender que a gente estava caminhando para um processo de disrupção geral, de vários segmentos econômicos. E aí, muito despretensiosamente, conversando com um grande amigo meu, que é designer e mais ligado à tecnologia, surgiu pra gente, como de um estalo, a ideia de diminuir os conflitos no Brasil – porque era um problema muito grande. Imediatamente a gente começou a procurar um desenvolvedor, em uma busca desenfreada, para contribuir, para reduzir custo das empresas, reduzir custos do Estado, facilitar a vida das pessoas. Tudo começou muito por acaso e agora é um desafio diário que a gente tem feito desde janeiro de 2016.

Qual o objetivo da Associação Brasileira de Lawtechs & Legaltechs, inaugurada neste ano?

Bruno Feigelson: A ideia da Associação é reunir as empresas em um único local para debater o futuro, tentar integrar as soluções, mostrar para o mercado o que existe, contribuir com a iniciativa educacional para formar esses novos advogados, explicar para eles o que é o futuro da advocacia. E, de alguma forma, tratar com os órgãos regulatórios, ver os limites, tentar contribuir com os aspectos legais e também a gente tem uma pegada muito forte quanto a contribuir com o movimento de inovação. A gente está passando pela quarta revolução industrial, está tudo acontecendo ao mesmo tempo e esse é o momento de repensar e o Direito tem que acompanhar isso tudo.

A gente entende, na Associação, que a tecnologia tem uma aplicabilidade gigantesca e traz muito valor para a advocacia. A grande questão que a tecnologia vai trazer é tirar do advogado aquela perda de tempo com coisas ineficientes, de coisas que geram pouco valor agregado e que ele não usa a capacidade cognitiva, e permitir que ele se foque – porque, à medida que a tecnologia se desenvolve, em todos os setores, desafios gigantescos surgem e o papel do advogado vai ser cada vez mais importante na sociedade.

Qual o papel das soluções disruptivas para o setor jurídico brasileiro?

Bruno Feigelson: A disrupção está ocorrendo em todos os segmentos, o mundo está se adaptando, a gente está indo para uma nova revolução industrial e não faz sentido questionar. Quem pode imaginar o advogado usando hoje uma máquina de escrever em vez do computador? Ninguém. Da mesma forma, não dá para imaginar o não uso da tecnologia. A tecnologia é uma realidade, veio pra ficar e cada vez mais vai se transformar e o papel do advogado é se adaptar a esse novo cenário e surfar os novos desafios que vão surgir.

Como tem sido o processo de inserção da inteligência artificial na rotina dos advogados?

Bruno Feigelson: Mundialmente, o que a gente tem observado é que, principalmente nos Estados Unidos, está tendo um desenvolvimento muito rápido de lawtechs. Para se ter uma ideia, em cinco anos foram investidos 2,5 bilhões de reais apostando em soluções tecnológicas. No Brasil isso está chegando com força, principalmente empresas grandes, como a IBM e a Microsoft, que tem se aproximado para integrar sua tecnologia com as soluções das lawtechs. E as próprias lawtechs tem desenvolvido muita coisa interessante.

Eu acho que a gente está em uma fase muito inicial das lawtechs no Brasil. Tem muita coisa para acontecer. A curva está ampliando, a gente está na exponencialidade e uma das coisas principais, não só nas lawtechs, no mundo hoje é a data science [ciência de dados] e a questão de inteligência artificial.

Quais os benefícios desse tipo de tecnologia para os advogados?

Bruno Feigelson: A gente [do Brasil] tem uma vantagem histórica muito relevante porque a maior parte dos processos está se transformando em eletrônico – e a tendência é tudo virar eletrônico. Todo processo que ficava disperso em papel, passa a ficar concentrado digitalmente e isso nos dá uma base gigantesca de informações a serem trabalhadas.

Então a inteligência artificial vai ser aplicada de várias maneiras: contribuindo em análises, contribuindo em formação de posicionamentos, mas sempre, obrigatoriamente, sob a supervisão de um advogado, porque a inteligência artificial ainda não substitui o humano. Muito pelo contrário, ela é uma ferramenta essencial para o ser humano que realmente vai tomar as decisões e escolher os caminhos.

Você acredita que a tecnologia vai reduzir a participação dos advogados?

Bruno Feigelson: Eu não acredito que a tecnologia vá reduzir o papel do advogado. Eu acho que a tecnologia vai impulsionar um novo tipo de atuação, então certamente o advogado de hoje vai ser muito diferente do advogado de amanhã, o que a gente já tem denominado de advogado 2.0.

A gente discute muito sobre como vai ser o carro autônomo, como vai ser os debates a respeito de eventuais usos de tecnologias que hoje a gente nem imagina. Todos os setores estão sendo alterados e isso vai impactar o uso de inteligência artificial e as tomadas de decisão por algoritmos. A questão é que o advogado vai ter que se adaptar a esse cenário. Eu não vejo uma perda de espaço, eu vejo uma valorização do advogado. E percebo também uma mudança necessária de mindset[modelo mental].

E quem é o advogado 2.0?

Bruno Feigelson: É aquele que tem um conhecimento jurídico muito amplo, quiçá maior que o de hoje. Uma pessoa com uma vasta cultura, que entende da multidisciplinariedade, entende de grandes clássicos, das mudanças tecnológicas. Tem uma visão multidisciplinar e integrada do avanço tecnológico e que usa muito a tecnologia para tomar as decisões com base científicas e não se tornar um advogado empírico e com pouco conhecimento.

O que podemos esperar para um futuro próximo em tecnologia para advogados?

Bruno Feigelson: Eu, particularmente, acredito que a gente vai ter um “unicórnio brasileiro” de lawtech. A gente é um dos maiores mercados do mundo, a gente é um mercado avançado, onde existe processo eletrônico, um milhão de advogados, o país que mais gasta percentual do PIB com a justiça. A gente tem todas as condições antropológicas para achar soluções, inclusive, para se tornar cases internacionais.

A gente tem um mercado já consolidado com empresas mais tradicionais e tem um mercado ascendente. As próprias empresas tradicionais já entendem que têm que se redesenhar, repensar. E, se elas não atuarem como startups, não tiverem a velocidade adequada, elas não vão ter condições de ficar nesse mercado. É um momento de transformação, um momento que ainda julgo ser muito inicial, mas muito próspero.

Como você observa a dualidade entre tradição x modernização dos profissionais da advocacia aqui no Brasil?

Bruno Feigelson: Eu acho que a gente está tendo uma mudança muito grande de quadros em escritórios e departamentos jurídicos. Muitas pessoas novas assumindo cargos de liderança e as próprias pessoas que, eventualmente, são mais velhas do ponto de vista de idade, com uma cabeça muito aberta. A inovação chegou para ficar, as empresas de maneira geral estão refletindo isso.

À medida que as empresas e os CEOs querem inovar, é mais do que natural que eles queiram que o mercado jurídico os acompanhe. E isso bate primeiro no departamento e, por consequência, nos escritórios. Essa adaptabilidade está vindo com uma grande frequência. A gente lida com vidas, com interesses estratégicos, então a gente tem que ter uma cabeça, de certa forma, conservadora nesse sentido, mas a inovação vem para contribuir, tornar o trabalho mais ágil, mais eficiente e mais próspero. E atender melhor o interesse dos clientes.

Para finalizar, o que os participantes do Aurum Summit 2017 podem esperar da sua palestra no evento?

Bruno Feigelson: Eu vou falar do advogado 2.0 e fazer um exercício, a partir do que a gente tem visto, de como vai ser esse advogado do futuro. Quem vai ser o advogado 2.0 daqui a cinco, dez anos? O futuro é incerto, e essa é a graça da existência. Mas o exercício vai tentar contribuir e buscar premissas, que é a forma de a gente se preparar. Quem se posicionar rápido e se entender como advogado 2.0 antes de todo mundo, vai ganhar um mercado expressivo. Porque o mercado está pedindo, os clientes estão pedindo e o futuro é esse. Não tem volta.

Fonte: Blog Aurum
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