CANVAS para Inovação na Advocacia: o que é preciso fazer nessa jornada!

Recentemente publiquei um artigo sobre a minha trajetória de inovação na advocacia, de quando eu decidi empregar meu conhecimento jurídico no ecossistema de Startups

Compartilhei parte da estratégia que eu adaptei para o meu perfil profissional, e a jornada que tracei para inovar e adequar a forma de prestar o serviço jurídico ao tipo de cliente que eu pretendia alcançar.

Apaixonada por gestão à vista, eu sempre fui muito visual e gosto de ter minhas metas e os passos para alcança-las à altura dos meus olhos. Talvez seja a forma que eu tenha encontrado de transmitir para o meu cérebro a dose diária de motivação que eu preciso para ultrapassar cada obstáculo.

Em meados de 2013, meu marido me apresentou um livro que no início eu não conseguia enxergar nenhuma conexão com a área jurídica. O livro foi “Business Model Generation – Inovação no Modelo de Negócios”, escrito por Alexander Osterwalder e Yvez Pigneur.

Jamais poderia imaginar que este livro se tornaria o pontapé de uma grande transformação na minha carreira e na forma como venho plantando a sementinha de inovação na advocacia hoje.

Visualmente apresentável, a proposta do livro despertou pelo menos o meu interesse de tentar entender como que um quadro teria um impacto tão significativo nos modelos de negócios tradicionais que conhecemos.

Sem spoiler, até porque a proposta desse texto não é uma resenha do livro, mas impossível não indicar a leitura dessa obra prima e da trilogia de sucesso desse autor que eu me tornei fã. No ano passado, tivemos o prazer de conhecer pessoalmente o escritório da sua empresa na Suíça e “de quebra”, ganhamos de presente o acesso grátis por um ano na plataforma da Strategyzer. Fica a dica para quem quiser se aprofundar no tema!

Para encurtar a história, foi a partir dete livro que eu comecei a compreender a importância de um planejamento estratégico para alcançar um objetivo e decidi criar meus próprios quadros, ou CANVAS.

Podemos definir CANVAS como o esboço ou desenho de um projeto, é uma ferramenta desenvolvida para auxiliar o empreendedor a elaborar o seu modelo de negócios. Ele funciona como um mapa, um direcionamento com um resumo dos pontos chaves que você deseja alcançar.

E foi assim que no final de 2017 eu decidi criar meu primeiro CANVAS sinalizando as habilidades que eu deveria aprimorar para inovar na advocacia.

O primeiro modelo estava em uma folha A4 que guardo até hoje no mural do meu home office.

Como não dava para ficar desenhando várias vezes, eu decidi pegar imãs de geladeira e fazer um protótipo que me permitisse ir montando como um quebra cabeça, e à medida em que eu percebia que uma habilidade ou outra deveria entrar ou sair do quadro eu ia mudando, até chegar nesse modelo mais atual.

Foi um trabalho de experimentação, que está sendo testado até hoje. A cada palestra, a cada conversa com um advogado que eu troco experiências, o modelo vai sendo aprimorado e construído com a colaboração de diversos profissionais.

Não é minha pretensão afirmar que esse CANVAS é a fórmula mágica para inovar na advocacia. Em uma carreira tão tradicional, sem dúvida há muito a ser feito e constantemente nos deparamos com novas habilidades que o mercado exige de um profissional inovador.

Porém, um pouco do que eu tenho aplicado na minha advocacia e dos colegas que estou tendo o prazer de ajudar, se resume nessas oito habilidades fundamentais. E em cada uma delas há um vasto caminho a percorrer.

A proposta com esse CANVAS é de demonstrar como que o resgate da nossa confiança criativa pode desencadear uma jornada de ideias em qualquer profissional. E nesse processo, o Legal Design foi fundamental para me ensinar a inovar.

E como inovação se faz com pessoas, o ponto de partida e a base de qualquer transformação é a preparação da nossa mente, o chamado MINDSET INOVADOR é essencial para se lançar em novos desafios e estar preparado para sair da sua zona de conforto.

O próximo passo eu costumo dizer que é “arrumar a casa” e por isso estabeleci como os pilares de sustentação, a GESTÃO DE ESCRITÓRIO e o EMPREENDEDORISMO JURÍDICO, noções básicas e fundamentais que deveriam ser ensinadas na graduação, mas infelizmente ainda há um gap muito grande entre a Academia e a Prática de mercado. E vou além, o conhecimento de empreendedorismo permitirá ao advogado ter uma noção de negócios, outra habilidade fundamental para que o serviço jurídico não esteja restrito apenas à aplicabilidade da lei e gere valor para o cliente.

Como estratégia principal, eu considero que o LEGAL DESIGN é a “chave que precisamos virar” para descobrir de fato como montar a nossa jornada de inovação. Foi através dele que eu consegui enxergar o que eu precisava aprimorar nas demais habilidades agregadas ao CANVAS.

Essa nova forma de pensar me ensinou a reconhecer a necessidade de aprimorar habilidades que vão além do conhecimento técnico, jurídico, e me reconhecer como uma viabilizadora de negócios e não apenas uma profissional que aplica a lei para solucionar problemas.

Aprender a trabalhar a EMPATIA e se colocar no lugar do outro, é como ajustar o foco do alvo que queremos alcançar. Quando paramos para ouvir aprendemos a nos conectar e conversar com a diferença para entender o usuário e o que ele precisa.

Mas de nada adianta tentar desvendar esse segredo sozinho, já que a COLABORAÇÃO e o trabalho em equipe são soft skills fundamentais para qualquer profissional que deseja “pensar fora da caixa”. Manter-se imerso exclusivamente no mundo jurídico não irá lhe trazer insights diversos daqueles que todos os seus colegas estão tendo! É preciso aprender a ser multidisciplinar e construir ideias de forma colaborativa.

O próximo passo é tirar as ideias do papel e praticar a EXPERIMENTAÇÃO. A prototipação desse CANVAS é um grande exemplo disso, e tem sido um trabalho de testes, erros e acertos, construindo junto com o advogado o melhor modelo de inovação para nossa carreira. Mas, de nada adiantam grandes ideias sem execução.

A escolha de um NICHO DE ESPECIALIZAÇÃO tem se tornado cada vez mais importante em um mercado disputado por tantos profissionais que estão fazendo exatamente a mesma coisa. E se você quer construir sua autoridade é preciso ter foco e direcionamento de qual área você pretende ser referência, e em alguns casos há ainda necessidade da especialização de um tema dentro desta área, os chamados sub-nichos.

Montar toda essa estratégia e manter-se escondido no seu escritório é investimento perdido. Aprenda a fazer NETWORKING. Sim… aprenda! Eu sempre fui muito comunicativa e achava que cumprimentar todo mundo em eventos era o ápice dessa habilidade. Até aprender que o networking de verdade vai muito além da troca de cartões e envolve técnicas importantes que podem lhe render bons negócios.

E se é para ser visto, de que adiantam tantas atitudes sem divulgação? Em uma profissão pautada em um Código de Ética restrito, devemos ter em mente de que sair por aí divulgando nosso trabalho sem os devidos cuidados podem render sérias dores de cabeças. Porém, o MARKETING JURÍDICO bem elaborado é uma peça chave fundamental para um processo de inovação, pois o domínio do meio digital se tornou essencial para quem quer ser visto pelo mercado.

Por fim, com seu devido grau de importância, “abraçando” todas essas habilidades temos a “menina dos olhos atual”, a TECNOLOGIA. E é ela que tem tirado tantos advogados “tradicionais” da sua zona de conforto, diante do temor de que poderão ser substituídos por robôs!

Não tema, e encare a tecnologia como uma forte aliada, capaz de impulsionar e de te ajudar a aprimorar cada uma dessas habilidades já mencionadas. Imagine poder contar com o uso de inteligência artificial em um chatbot no seu escritório para informar o cliente sobre o andamento do processo dele; poder ter acesso a um relatório de jurimetria que te permita conhecer o perfil de julgamento de um determinado juiz onde você tem diversas ações tramitando, e esta informação possibilitar um provisionamento de fundos para o seu cliente com a redução de gastos??? Consegue vislumbrar como esses “robozinhos” podem ser fortes aliados da nossa rotina?

Se você ainda tem dificuldade, é porque precisa ajustar o foco do que pretende alcançar! E uma vez traçada a sua estratégia e sabendo qual habilidade você precisa desenvolver para inovar na sua advocacia, você conseguirá direcionar seu o objetivo e visualizar, por exemplo, se o seu escritório precisa de um investimento em um software de gerenciamento de processos, devido ao grande volume; ou se você precisa direcionar seus estudos nesse momento para o aprendizado robusto de proteção de dados pessoais, porque o seu perfil de cliente vai demandar demais esse tipo de assessoria.

Ajustar o foco, é descobrir se o que você precisa nesse momento é aprender o que é blockchain ou “arrumar primeiro a casa” e começar conhecendo o seu perfil de cliente. O advogado precisa ser capaz não apenas de conhecer a tecnologia, mas de aprender a aplicá-la em seu benefício e de seus clientes.

Se você não consegue enxergar nessas atitudes um processo de inovação jurídica, eu vou te apresentar um conceito bem simples: inovar é fazer algo diferente gerando valor para as pessoas!

Em uma profissão onde o uso de cores e gráficos em um documento direcionado ao juiz já é considerado inovador, de certo que pequenas mudanças em hábitos seculares já podem gerar um grande valor para os usuários a quem se destina o serviço jurídico.

E você, quando vai começar a montar a sua estratégia de inovação na advocacia?

#inovacao #legaldesign #inovacaonomercadojuridico#inovaquecresce #visualaw #direitoetecnologia #advogados #advogadas #inovacaodepartamentojuridico

AUTORA: Lillian Oliveira Coelho (Lawyer. Startups. Innovation and Technology for the Legal Market. Legal Design).

Perfil da autora: //www.linkedin.com/in/lillian-oliveira-coelho-direito-inovacao-tecnologia/

FONTE: LINKEDIN.

Comentários

Comentários