Como aplicar os princípios de Marcos Lemonis, “O Sócio”, nos escritórios de advocacia

“O Sócio” faz parte do tipo de programa televisivo que gosto de assistir. Ele é transmitido pelo History Channel e comandado pelo bilionário Marcos Lemonis.

“Quando Marcus Lemonis não está administrando sua empresa multibilionária, a Camping World, ele vai em busca de empresas que estão desesperadas por dinheiro e no ponto para um acordo. Nos últimos 10 anos, reabilitou com sucesso mais de 100 empresas. Agora está trazendo esta habilidade para a série “O Sócio”, com uma proposta inédita. Em cada episódio, Lemonis faz às empresas uma oferta impossível de ser recusada: seu dinheiro em troca de uma parte do negócio e uma porcentagem dos lucros. Uma vez dentro da empresa, ele então faz de tudo para salvar o negócio e torná-lo lucrativo, mesmo que isso signifique demitir o presidente, promover a secretária ou fazer ele mesmo o trabalho. “

Em cada episódio, Lemonis, ao tentar reerguer as empresas, fala sobre os três pontos importantes para o sucesso de um negócio: “Pessoas, processos e produtos são meus três princípios”

Nesse artigo pretendo demonstrar como esses princípios podem ser aplicados ao seu escritório de advocacia.

Mas antes de entrar nesses 3 princípios, é preciso enxergar seu escritório como uma empresa. Tudo bem que o advogado ama a profissão, pelo menos é o que se espera de alguém que esteja atuando, mas se esse abriu um escritório com certeza almeja crescer profissionalmente, ter bons clientes e TER LUCRO! O escritório, portanto, deve ser visto como fonte de lucro e para isso precisa haver maior profissionalização e organização dos serviços prestados.

Vamos aos princípios!

Pessoas: Como em toda empresa, a mão de obra é essencial para o crescimento do negócio. Nesse sentido destaco duas questões importantes a serem analisadas pelos sócios de escritórios:

  1. Critério de Seleção

O critério de seleção é muito importante e deve ser observado para todas as áreas do escritório. Desde a secretária aos advogados associados e demais funcionários contratados, todos serão a cara de seu escritório.

Ter um processo de recrutamento e seleção com critérios previamente estudados é algo que deve ser colocado em prática. Cada vaga tem sua particularidade e cada escritório também, por isso não existe receita pronta para isso.

Exemplo prático: Como contratar um advogado que vai atuar diretamente com processos eletrônicos sendo que esse não possui nem conhecimento mínimo de informática?

Vale a pena observar não só as informações acadêmicas e experiências profissionais que o candidato tem. Muitos recrutadores verificam até as redes sociais para investigar o tipo de personalidade do candidato.

Caso tenha dificuldade em elaborar um processo de recrutamento e seleção, existem empresas no mercado específicas para isso.

  1. Investimento em pessoas

Quantas vezes já ouviu falar que colaboradores felizes produzem mais? Muitas vezes o escritório perde talentos por falta de motivação. Investir no funcionário é o mesmo que investir na empresa.

Já existem muitos escritórios grandes que entenderam essa premissa, mas infelizmente existem muitos outros que não entendem ou não aplicam isso. O fato também de não haver um piso salarial mínimo para advogados associados atrapalha muito.

Plano de carreira e/ou participação nos lucros, benefícios como plano de saúde, vale alimentação, incentivo e bolsa para especializações, são ótimas ideias para animar seus colaboradores.

Processo: Entendo esse princípio como procedimentos que devem ser aplicados para maior organização, profissionalização e rentabilidade do negócio. Em um escritório de advocacia, percebo a importância de organizar e dividir as funções internas para que isso ocorra.

Uma divisão mínima necessária seria em três departamentos, são eles: Departamento Técnico, Departamento Administrativo-financeiro e a Controladoria Jurídica.

No departamento técnico se concentra a atividade jurídica propriamente dita: atendimento ao cliente, elaboração de petições e pareceres, audiências, sustentações orais, dentre outras atividades que demandam conhecimento técnico, privativas do advogado. O departamento técnico pode se subdividir, por exemplo, em coordenadores jurídicos, advogados e estagiários.

O departamento administrativo-financeiro deve ser responsável pela administração das pessoas (recursos humanos), do patrimônio, do financeiro, dentre outras atividades administrativas e financeiras ligadas a gestão do escritório.

Por fim, a Controladoria Jurídica que é o setor do escritório que atua principalmente dando todo o suporte ao setor técnico, garantindo a efetividade, a qualidade, a segurança e a agilidade nos serviços jurídicos e realizando a análise de resultado da produção jurídica.

Creio que a Controladoria Jurídica seja um grande coringa na aplicação desse princípio previsto por Lemonis. Ela criará procedimentos internos padronizados que haja maior produção e organização do escritório. Inclusive já falei dela por aqui: https://www.linkedin.com/pulse/controladoria-jur%C3%ADdica-pode-ajudar-vencer-5-desafios-do-carla-tupan?trk=prof-post

Produto: É o que você tem para oferecer para o seu cliente: conhecimento jurídico, atendimento, etc. Para que seja prestado serviços de qualidade é preciso estar constantemente se aprimorando. Participar de workshops, palestras e cursos sobre os assuntos de atuação é sempre uma forma de reciclar e atualizar os conhecimentos. Não é bom estacionar apenas na pós-graduação.

Constantemente a OAB disponibiliza cursos até mesmo em parceria com a AASP e são transmitidos em várias seccionais pelo país. Sem contar os diversos cursos ministrados pela Escola Superior de Advocacia de cada seccional.

Ainda dentro do produto vale lembrar que é importante dominar as áreas de atuação ou ter profissionais que o faça. Nesse sentido existe aquela máxima de que é melhor ser muito bom em uma coisa só do que ser ‘mais ou menos’ em várias. Isso é especialização, por isso existem hoje as Boutiques, que são escritórios especializados em uma área de atuação bem específica, por exemplo, atuação na área criminal para pessoas jurídicas.

Enfim, a aplicação desses princípios pode ajudar muito na administração de um escritório mas para funcionar de verdade os sócios devem entender que não são apenas advogados, mas também empreendedores.

 

 

Por Carla Tupan

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/como-aplicar-os-princípios-de-marcos-lemonis-o-sócio-nos-carla-tupan/?lipi=urn%3Ali%3Apage%3Ad_flagship3_

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