Desenvolver o ecossistema é o foco da AB2L

Educar profissionais e empresas para potencializar o uso de tecnologias no Direito. Fortalecer o ecossistema. Otimizar a rotina de profissionais e setores jurídicos. Promover o desenvolvimento tecnológico local.  Esses são os objetivos da Associação Brasileira de Legal e Lawtechs (AB2L).

A Associação surgiu em junho de 2017 para atender as quase cem empresas de tecnologia jurídica do Brasil. Membro fundador da AB2L, recentemente a Advise, representada pelo CMO e CCO, Giovanni Hilgemberg Filho, alinhou parcerias entre a empresa e a instituição. Confira um trechinho da conversa do Giovanni com o vice-presidente da Associação, Erik Fontenele Nybo, e saiba mais sobre o atual momento do ecossistema brasileiro.

GH – O que é exatamente a AB2L?

EN –  Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs. É uma associação que agrega todos os esforços das empresas de tecnologia que criam produtos ou serviços voltados para o mercado jurídico. A ideia é que a gente consiga um ecossistema mais forte em tecnologia ao mesmo tempo que a gente traz outros atores do mercado, empresas e advogados, por exemplo, para fazer parte deste capítulo.

GH – Como um advogado pode se associar à AB2L? A associação é exclusiva para empresas?

EN – Então, qualquer advogado pode se associar, seja ele pessoa física ou jurídica, por meio do escritório. Ele pode se associar por meio do nosso site ou diretamente com um de nós [membros/diretores da Associação]. Por meio do nosso portal, a gente consegue um alcance muito maior e, também, porque assim as pessoas não dependem dos diretores e membros da AB2L para se associar. Estamos sempre à disposição de todo mundo.

GH – Como funciona, hoje, a relação da AB2L com as empresas? A ideia é fomentar as startups? Ou a Associação surgiu de uma necessidade dos próprios advogados?

EN – Nós, como advogados, sabemos o quanto a tecnologia facilita nosso dia a dia, traz mais eficiência para o trabalho e substitui processos desnecessários. A ideia é que a gente tenha uma conversa entre todos que integram esse mercado. Tanto startups quanto empresas de tecnologia um pouco mais velhas porque acreditamos que todos têm muito a aprender uns com os outros. Acreditamos em iniciativas em conjuntos. Precisamos, sempre, mapear o mercado porque as pessoas precisam ter acesso à tecnologia. Em um cenário de transformação digital, de atualização constante, é importante acompanhar o que está sendo feito para o mercado jurídico. Basicamente é isso que fazemos hoje em dia na AB2L.

GH – Qual é o cenário brasileiro atual de inovação e tecnologia para o mercado jurídico?

EN – Depois da criação da AB2L, nós percebemos que muitas empresas começaram a surgir e as que já existiam e, muitas vezes, atuavam sozinhas começaram a se unir para organizar o mercado.  Então, foi muito positivo isso e gerou muita força para o mercado. Começaram, também, os apoios às startups que são os grandes players deste mercado de inovação. A gente também conseguiu organizar os eventos. A AB2L já nasceu internacional. Os nossos primeiros eventos foram com a Associação de Lawtechs da Alemanha. Então, a gente conseguiu ter essa projeção internacional bem relevante. Hoje a gente fala sim com as legaltechs e lawtechs de todo o mundo. Espanha, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e outros países da América Latina. Então, a gente consegue ter essa capilaridade.

GH – Quantos eventos a AB2L já promoveu e quanto tempo a Associação tem?

EN – A AB2L tem pouco tempo. Um pouco mais de um ano. O número de eventos é difícil de quantificar porque foram muitos, em diversos lugares do país. Mas nós temos um projeto de expansão para levar tecnologia para todo mundo. Nós não estamos apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nós estamos no país inteiro e existem pessoas espalhadas pelo Brasil que estão levando à frente novas tecnologias para o próprio país e para o mundo. Então, hoje o país tem sim capacidade de competir, em termos de tecnologia, no mundo. Temos um cenário maior de Legaltechs do que outros países.

GH – Quais são os projetos atuais da AB2L?

EN – Hoje nós temos uma frente muito forte de educação. Nós precisamos ensinar as pessoas, utilizar as ferramentas, aproveitar os produtos. Fechamos uma parceria recente com uma faculdade do Rio de Janeiro para oferecer cursos gratuitos para quem quer entender como a tecnologia funciona. Fora isso, fazemos frequentemente seminários, wokshops e reuniões. Nós temos, também, um comitê da AB2L para ajudar escritórios e empresas a implementarem e auxiliarem seus departamentos a utilizarem a tecnologia. Então, a gente entende as dores, discute. Temos uma discussão que relaciona mercado e fornecedores. Isso é muito rico. Ao mesmo tempo, estamos sempre em busca de parceiros locais para desenvolver localmente essa ideia de que a tecnologia é uma ferramenta necessária para o advogado. Em todo cenário, a AB2L está presente para ajudar.

GH – Nós sabemos que as faculdades de Direito ainda não têm, ou têm pouco, uma formação em tecnologia. Os advogados ainda não são formados para sair da faculdade pensando em ferramentas que o auxiliem em sua rotina jurídica. Seria esse o grande desafio do mercado?

EN – O mercado tem feito bastante a sua parte. Então, fica mais fácil propagar a noção de que a tecnologia é um auxiliar à prática do Direito. O grande problema é que as pessoas não sabem onde encontrar essas ferramentas. Então, ao reunir todas as empresas que oferecem soluções, a AB2L é, mais uma vez, assertiva.

 

 

Por Tatiane Salvatico

Fonte: http://blog.advise.com.br/tecnologias-no-direito-foco-da-ab2l/

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