Digitalização não se restringe aos escritórios

A digitalização da área jurídica não se restringe aos escritórios de advocacia, e já chega aos departamentos jurídicos de grandes empresas. Quando a Localiza optou por internalizar o seu jurídico, há dois anos, o caminho escolhido também foi a automação. Os resultados surpreenderam. Um deles foi a redução em 22% no número de processos judiciais, mesmo a empresa tendo crescido nesse período. Um outro efeito foi o impacto no plano de carreira do setor, que passou de quatro gerências para três entre 18 advogados.

“Ganhamos uma equipe mais enxuta, mais ágil e com maior conhecimento dos processos”, diz Roberto Mendes, diretor de finanças e relações com investidores da Localiza. Outras empresas estão seguindo o mesmo caminho. Recentemente, a MRV Engenharia contratou Guilherme Silva Freitas como gestor executivo jurídico com a missão de identificar, contratar e implementar soluções tecnológicas inovadoras que possam transformar a forma de atuação do departamento jurídico e dos escritórios de advocacia parceiros.

“Os maiores desafios serão identificar as reais oportunidades no mercado brasileiro, em um universo cada vez mais amplo de legaltechs e mudar a cultura por trás de uma atividade ainda muito conservadora, burocrática e avessa a inovações”, afirma Freitas. Segundo Maria Fernanda Menin, diretora executiva jurídica da MRV, não se trata de uma reestruturação, mas da criação de uma nova gestão para pensar e planejar a inovação jurídica. Na sua opinião, o advogado tradicional, focado no litígio e na judicialização, não terá mais espaço. “O grande desafio agora é transformar também a metodologia de ensino jurídico, que na nossa opinião não está adequada para capacitar e preparar o advogado corporativo do futuro”, afirma Maria Fernanda.

Muitos especialistas no assunto compartilham da mesma opinião. Foi exatamente por isso que Christiano Xavier, responsável por implementar o modelo de automação na Localiza, resolveu fundar a Future Law, uma plataforma de ensino para os profissionais do direito. Integrada ao ecossistema de legaltechs, a startup promove laboratórios em parceria com empresas para o pessoal da área aprender, por exemplo, a programar, ler dados e ter noções de experiência do usuário. “O profissional vai ter de se reinventar”, diz Xavier. Para ele, as instituições de ensino ainda não olham para isso, e falta gente preparada para essa realidade.

 

Por Luiz de França

Fonte: http://www.valor.com.br/carreira/5305997/digitalizacao-nao-se-restringe-aos-escritorios-de-advocacia

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