Disrupção jurídica?

A disrupção do mercado jurídico como conhecemos é fato dado. As questões que se colocam são: Estamos caminhando de maneira célere ou lenta? Em quanto tempo o mercado será completamente remodelado?

Na língua portuguesa, a noção de “tempo” é compreendida a partir de uma única palavra. No entanto, para os gregos antigos, duas eram as palavras que sintetizavam esse conceito humano: “chronos” e “kairós”. O primeiro, como a palavra já indica, referia-se ao tempo cronológico ou sequencial (o tempo do relógio), ao passo que kairós ostentava a natureza qualitativa, a verdadeira experimentação do momento.

Kairós na mitologia grega é percebido na inteligência de Atena, no amor de Eros e no vinho de Dionísio. Kairós, na minha livre interpretação, é o carpe diem. É o tempo em sua potencialidade, o instante eterno que não se esvai com o passar dos ponteiros do relógio. Kairós é Einstein e Chronos é Newton. Não há nenhum tipo de superioridade de um em relação ao outro, são apenas perspectivas distintas da realidade.

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Isso não quer dizer que estejamos todos na mesma dimensão. Muitos ainda dão boa noite para o apresentador do jornal nacional (nem sei quem é atualmente!), ao passo que muitos nem mesmo televisão possuem em casa. Alguns ainda enfrentam filas de bancos, chamam táxi com as mãos (sem aplicativos) e pedem pizza por telefone. Normal e aceitável 😊

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Em 2018, criamos a Future Law. Em 2019 veio a Life Aceleradora. Neste meio tempo, rodei o Brasil, de norte a sul, de Ministros das Cortes Superiores aos estudantes de primeiro período, conversei com todos os personagens do mundo jurídico. Investi como anjo em algumas outras Lawtechs. No âmbito do Lima ≡ Feigelson Advogados, contribuímos com algumas das empresas mais inovadoras, assim como algumas das corporações mais tradicionais em seus projetos mais vanguardistas. Tenho a convicção de que estou vivendo uma dimensão muito diferente de alguns amigos.

E a questão que resta é, em que ponto estamos na curva da disrupção?

Apesar da ansiedade de todos que me rodeiam,  – sócios, colaboradores, amigos, clientes, parceiros e outros –, acredito que ainda estamos nas primeiras dobras da progressão geométrica. A questão da disrupção é que ela evolui em progressão geométrica, ao passo que o mundo tradicional anda por meio de progressão aritmética. Quem já teve a oportunidade de ver alguma palestra minha, recentemente, refletiu a respeito do exercício da dobradura do papel.

Ainda há muita descrença e decepção no mundo da inovação no Direito. Em algum sentido, falamos de streaming quando vivemos o momento em que a internet discada nos oportuniza ver nossas primeiras fotos online. Já apresentamos o mundo dos smartfones em uma realidade que se diverte com jogos da cobrinha em celulares Nokia. Mas não se engane, a velocidade é exponencial. E no ponto de inflexão, será tarde demais para tentar alguma coisa.

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Quando criei o termo “Lawtech”, em 2016, não tinha a mínima compreensão da dimensão que o termo ia ganhar. Notem que no ano de 2018, em nível mundial, Lawtech começou a se tornar mais relevante que a palavra “Legaltech”!

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Em 2018, trafegamos no Sem Processo 1 bilhão de reais. Na Life, recebemos contato de no mínimo duas novas Lawtechs por semana. Na AB2L, chegamos a 500 associados. Só de Lawtechs são aproximadamente 150. Na Future Law, contamos semanalmente com a participação de heads jurídicos, juízes, procuradores, promotores e sócios dos maiores escritórios do Brasil em nossas salas de aula.

Estamos andando acelerados? Realmente não sei dizer. Faz tempo que eu passei a experimentar o tempo na dimensão de Kairós. Chronos ainda se impõe para os compromissos do cotidiano, mas não é um bom companheiro para tratar de disrupções…

Por: Bruno Feigelson
Fonte: Linkedin

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