Estão todos preparados para o Jurídico Sem Gravatas?

Jurídico sem gravatas, de calça jeans e de tênis.

 

A advocacia é um ramo conservador. Aposto que uma das suas primeiras imagens um advogado é de um senhor de cabelos brancos e terno marrom. Ou então uma mulher por volta dos 40 anos, de saia, meias-finas e salto.

Esta imagem – ou alguma parecida – muitas vezes representa entrave ou descrédito para a contratação de advogados jovens. Acredite!

A boa notícia é que a advocacia passa por um intenso processo de inovação e modernização – processo digital, audiência virtual, lawtechs, legaltechs etc.

Assim, mudou também o perfil do advogado e, no ambiente corporativo, criou-se a figura do jurídico sem gravatas, do advogado gestor, solucionador de problemas, focado no negócio, sem aquela postura burocrática.

Sempre fui adepta da advocacia que soluciona problemas, que simplifica a vida do cliente, que aproxima e que empreende, daí porque falar de inovação e desburocratizar é tão necessário e importante por aqui.

Ao pé da letra, no escritório não usamos gravatas e cada um vem trabalhar do jeito que se sente bem, sem dress code, ressalvando os dias com compromissos que ainda demandam gravatas e similares – a larga minoria, ainda bem.

Eu considero excelente, mas ainda existem muitas pessoas que esperam pelo senhor de cabelos brancos e terno marrom ou a senhora de saia, meia-fina e salto.

Explico.

No início da semana, estive em um fórum da região metropolitana de São Paulo para retirar um documento.

O expediente do fórum para os advogados se inicia às 9h00min e para os não-advogados, às 12h30min. Eu cheguei por volta das 10h00min.

Vestia calça jeans, camiseta e tênis.

O fórum funciona em dois prédios dentro do mesmo terreno, mas a divisão de unidades não segue uma lógica. Como não vou com frequência, antes mesmo de entrar no prédio, já me preparava para perguntar ao segurança sobre a localização do local que eu precisava ir.

– Oi, bom dia.

– Bom dia.

– A 3ª Vara Cível fica aqui ou no outro prédio?

– Moça, o atendimento começa às 12h30min.

– Hum. Eu sou advogada.

– Ah, então tudo bem. Fica no outro prédio. Dê a volta, estará ao final do corredor.

– Obrigada!

Segui as orientações, caminhando em direção ao outro prédio. Antes de chegar, fui interceptada por outro segurança.

– Moça, moça!

– Oi?

– Aonde você vai?

– Na 3ª Vara Cível. Não é por aqui?

– Sim, é. Mas você só pode entrar depois das 12h30min.

– Eu sou advogada.

– Ah, então tudo bem. Pode ir.

Cheguei ao balcão da 3ª Vara Cível e esperei atendimento. Havia um quadro com o Selo Ouro – Certificado de Unidade Eficiente conferido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Não demorou.

– Bom dia.

– Bom dia. Tudo bem? Eu vim para retirar uma guia de levantamento.

– Tá. Você escreve o número do processo aqui. Mas, espera. Você é advogada?

– Sim. Sou.

Escrevi o número do processo no papel, entreguei minha carteira de advogada. Passaram alguns minutos e a escrevente voltou com a guia, o documento que eu precisava retirar em mãos. Referia-se ao pagamento de honorários pagos pela parte contrária em meu favor.

Eu vestia calça jeans, camiseta e tênis.

O jurídico é sem gravatas – ou, no meu caso, sem saia. Aderir ao movimento que vive a advocacia de forma flexível, inovadora e desburocratizada ultrapassa o papel da advocacia.

Representa a necessidade de, diariamente, mostrar que não são gravatas, saias, saltos que definem o resultado ou, mais além, a importante figura do advogado.

Eu estou disposta a continuar de calça jeans, camiseta e tênis, incentivando minha equipe a ser quem quiser, inclusive sem gravatas.

Porque, afinal, o que importa é resolver as questões jurídicas de quem cruzar o caminho.

Por Luiza Galvão

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