Gestão do negócio jurídico na era dos algoritmos

Algoritmos são métodos utilizados para extrair padrões de grandes quantidades de dados e informações, garantindo aos computadores a capacidade de predizer e inferir como a mente humana.

Existem dezenas de algoritmos e alguns deles tem mais de 40 anos de existência. Todos eles se baseiam em analises estatísticas e formam a estrutura básica de um dos componentes principais da Inteligência Artificial que é a chamada de “Machine Learning” (vejam figura abaixo)

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Três fatores associados possibilitaram a revolução que estamos presenciando no Direito, ou seja, Machine Learning associada à NLP (Natural Languge Porecessing) e ao aumento exponencial na capacidade de processamento dos computadores, possibilitaram o desenvolvimento de estatísticas e elaborações de análises em textos compostos por palavras, que anteriormente só eram possíveis em documentos numéricos.

Qual advogado ou gestor de escritório já ouviu falar em “Random Forest”, “Naive Bayes”, ”K-nearest Neighbors” “Gradient Boost & Adaboost”, “Logistic Regression? Provavelmente muito poucos, mas isso não é o importante!

O importante de tudo isso é que os atuais gestores jurídicos devem se adaptar a essa nova realidade e ajustar o modo de pensar e de resolver problemas, ou seja, mudar o seu “mindset”.

Na área da gestão jurídica processual ou não é que está acontecendo a grande revolução e cito alguns exemplos:

Os levantamentos necessários à elaboração das peças (petições, recursos, contratos, etc.) não mais dependem do fator humano, pois as ferramentas de buscas inteligentes são muito mais ágeis e precisas

A definição da estratégia de defesa ou ataque processual não se limita mais somente às análises de legislação, doutrinas e jurisprudências, mas agora contam também com as estatísticas oferecidas pela jurimetria e com as análises inteligentes oferecidas pelos algoritmos de predição.

Os relatórios de acompanhamento e previsão oferecidos aos clientes (chamados de relatórios de auditoria) não mais serão simples como os atuais, onde são expressas apenas três possibilidades para aquele processo: “provável, possível ou remoto”. Eles deverão conter informações muito mais detalhadas, os seja, as probabilidades percentuais (com margem de erro) da ocorrência de determinada decisão judicial por tipo de reclamação, tese apresentada, corte a que está submetida e até juiz que a julgará.

A elaboração das peças pode ser auxiliada por sistemas inteligentes de análise de documentos prévios e das condições atuais, fornecendo uma importante ferramenta de automação e agilização do trabalho jurídico.

Por fim, até a forma de cobrança dos trabalhos executados e a executar, bem como a orçamentação de propostas devem ser revistos à luz dessas notas tecnologia.

No campo da gestão do negócio, as ferramentas de “data analytics” utilizadas nas informações internas associadas à externas, o chamado “big data”, fornecem ferramentas fundamentais para a definição das decisões operacionais e estratégicas para o negócio.

Estatísticas de tempo de elaboração de documentos, produtividade de profissionais, equipes, filiais, etc., detalhamento de trabalhos produtivos e improdutivos dedicados e clientes e assuntos, podem ajudar muito na elaboração correta de propostas e orçamentos.  As analises estatísticas de trabalhos desenvolvidos por setores (ou práticas jurídicas) para os diversos ramos de atividades de clientes, podem ajudar enormemente nas decisões estratégicas de “cross selling”, expansões, investimentos, treinamentos, etc.

Estes foram apenas alguns exemplos de como os algoritmos podem interferir na gestão jurídica e do negócio jurídico (são coisas diferentes!) e estão forçando os gestores a se adaptarem à essa nova forma de ver e gerir o seu negócio.

Adapte-se e alie sua Inteligência à Inteligência Artificial ou pereça!

Por: José Paulo Graciotti
Fonte: //www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI298449,61044-Gestao+do+negocio+juridico+na+era+dos+algoritmos?utm_source=informativo&utm_medium=migalhas4565&utm_campaign=migalhas4565

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