“O mundo é bué cenas” e blockchain não é só criptomoedas

AS CRIPTOMOEDAS SÃO UMA APLICAÇÃO DO BLOCKCHAIN, MAS O BLOCKCHAIN É UMA TECNOLOGIA COM MAIS UTILIDADES ALÉM DESTE

A Bitcoin, o Ethereum, a Ripple e as outras criptomoedas que existem são uma aplicação do blockchain mas o blockchain é uma tecnologia com mais utilidades além do mundo financeiro, abrindo um novo paradigma de transparência e segurança digital.

O termo “blockchain” foi utilizado pela primeira vez associado à criptomoeda Bitcoin, aquando da sua criação entre 2008 e 2009 por Satoshi Nakamoto (cuja real identidade permanece em aberto). O blockchain permite descentralizar a informação, ou seja, em vez de os dados estarem guardados num determinado servidor que pertence a uma única pessoa ou empresa, eles são partilhados por todos. Graças ao blockchain (ou “cadeia de blocos”, em português), todas as pessoas têm acesso a todas as transações feitas com uma determinada criptomoeda, o que garante transparência e segurança, mas sobretudo uma descentralização da economia.

O blockchain é, assim, uma cadeia de informação –uma folha de cálculo onde todas as transações de valor são seguras entre duas ou mais pessoas, mas segura em vários pontos descentralizados. A privacidade dos conteúdos é assegurada através da cifra, código matemático, que torna praticamente impossível a corrupção dos dados.

Quando pensamos em algo de valor, a primeira coisa que vem à cabeça pode ser dinheiro – Bitcoin, Ethereum, Ripple… –, mas tudo aquilo que pode ser pessoal e intransmissível pode ser guardado e partilhado numa aplicação com o formato de blockchain. Trocando por miúdos, quais são as aplicações práticas desta tecnologia?

IDENTIDADE E APLICAÇÕES DE IDENTIFICAÇÃO

Qualquer serviço estatal que precise que um indivíduo se identifique. Validação de cartão de identidade, renovação de cartas de condução, certificados de nascimento ou casamento, qualquer coisa que precisa de ser validada já tem aplicação com Blockchain. O governo da Estónia tem desenvolvido um programa de E-residency, ou seja, residencia virtual para cidadãos estrangeiros, não sendo necessária uma base de dados centralizada, vulnerável a ataques ou acidentes.

VOTAÇÃO ONLINE

Mais uma vez, a Estónia, mas também a Dinamarca e a Noruega já estão a testar formas de validar votos online através da tecnologia de blockchain. Uma vez que os registos são irrepetíveis e imediatos, seria uma forma ideal de manter um sistema fiável, de forma a evitar fraude ou duplo voto. Já houve indicações por parte do governo Português que está atento e pode vir a testar esta alternativa em processos eleitorais. Para além do conforto de se poder votar a partir do sofá, os cidadãos emigrantes podem também participar nos processos eleitorais de forma mais simples.

MÚSICA

A partilha de música online parece ter percebido também aqui o potencial da blockchain para descentralizar a informação e a informação relativa a pagamento de comissões. Recentemente, a Spotify comprou a Mediachain, uma empresa que se especializou na criação de Tokens atribuir como compensação a artistas. Lembra os velhos sistemas de P2P como Napster ou Kazaa. O principio é o basicamente o mesmo de partilha de ficheiros e informação relevante com diversas fontes.

TRANSFERÊNCIAS FINANCEIRAS E SISTEMAS BANCÁRIOS

Não é a compra e venda especulativa de criptomoedas mas são as velhas insituições bancárias tradicionais a usar as possibilidades da blockchain. 25 bancos como Wells Fargo e Citibank fazem parte do consórcio R3 e da plataforma Corda que experimenta aplicações de tecnologia relativa a blockchain. Os criadores da Ripple, criptomoeda que se converteu na segunda maior do mercado a seguir à bitcoin, fazem parte desta parceria. Recentemente, a Ripple processou a JP Morgan e Goldman Sachs por má fé, por alegadamente terem saído do consórcio e roubado o conhecimento para proveito próprio. De qualquer modo, apresenta-se como tecnologia apetecível e os desenvolvimentos deste processo vão ser a base dos contornos legais que toda a blockchain pode ter no futuro.

CONTRATOS INTELIGENTES

Ou smart contracts. Todos os exemplos mencionados são contratos inteligentes, ou plataformas descentralizadas onde temos um registo de alterações feito por um indivíduo ou por uma máquina. A base geralmente é o Ethereum, no qual o interessante não é o valor da criptomoeda, mas a possibilidade de trabalhar o Ether para se construírem as mais variadas aplicações. Aqui a imaginação é rainha e as potencialidades infinitas. Blockchain pode ser utilizada em todo o tipo de atividade que precisa de uma folha de cálculo, ou registo de entrada e saída no qual os utilizadores. Mais exemplos incluem registo automóvel, turismo, registos de saúde, onde não convém que erros ocorram. ÉA própria Microsoft já está a desenvolver a sua versão de blockchain no Azure, e a Linux Foundation está a desenvolver a Hyperledger — Os pesos pesados da informática também estão em jogo!

O mais provável é começarmos a ver mais e mais aplicações de blockchain sem perceber que é blockchain. E é normal. Na verdade, quando navegamos na web, não estamos a pensar em HTML, CSS ou PHP.

 

 

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Fonte: https://shifter.pt/2018/02/blockchain-aplicacoes/

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