O que aprendi sobre liderança em 25 anos

Por Antônio Gerassi Neto-  CEO da Aurum Software

Há certos trabalhos e iniciativas em que é necessário o trabalho em equipe para levar a cabo. E sempre que há trabalho que envolva mais do que 2 pessoas há a necessidade de algum tipo de liderança. A ideia deste post é compartilhar um pouco do que aprendi nos últimos 25 anos de trabalho em equipe em Startups. Definitivamente liderar não é uma ciência exata. Meu conhecimento é empírico, há muitas maneiras de liderar, indico aqui alguns em que acredito.

Iniciativa

A característica básica de qualquer líder. Se a liderança é boa ou ruim é outra coisa, mas sem iniciativa ela não existe. Exemplo: digamos que um grupo quer fazer uma fogueira, se ninguém tomar iniciativa, a fogueira não acontece. Por outro lado, se alguém começar a procurar madeira, perguntar quem tem fósforo, etc. Essa pessoa se torna o líder daquele grupo naquela tarefa e a fogueira é acesa.

Para se ter iniciativa é preciso ter coragem para se expor. É sempre mais fácil esperar que os outros tomem a iniciativa, mas para liderar, você terá que “tomar a frente” o que nem sempre é confortável.

Oportunidades de liderança aparecem a todo instante. Cabe a você, identificar quais valem a pena.

O Desempenho do time é o seu desempenho

O líder tem que ter a noção que o desempenho dele é medido pelo desempenho do time. A função dele é fazer o time desempenhar bem. Imagine um grande general: Leônidas, Aníbal, Napoleão, Rommel. Eles não eram necessariamente grandes guerreiros, mas lideravam exércitos muito bons. Em face disso, há muita coisa a ser feita pelo líder:

  1. Montar um timaço. É responsabilidade do líder montar o seu time. Decidir quem entra e quem sai. Montar o melhor time dada as limitações em que se encontra.
  2. Enfatizar o resultado e não a forma/comportamento dos liderados. Uma vez recebi uma visita de um potencial parceiro na Aurum. Eram umas duas da tarde, e alguns áureos estavam jogados nos pufes da nossa área de descompressão. O sujeito viu a turma ali e virou para mim: “Vocês deixam o pessoal ficar assim em horário de expediente?”, eu respondi: “Não meço o desempenho deles pelo que lugar que estão sentados”. Monitore o resultado não a forma. Se seu time é de programadores: eles programam bem e rápido? Se seu time é de vendedores: eles vendem bem, batem metas? Se você é técnico de futebol: O time ganha partidas, campeonatos?
  3. Não micro-gerenciar, se você montou um time bom, provavelmente eles sabem como fazer.

Integridade

Aqui entra a diferença entre um bom e um mau líder. Para exemplificar, vou contar uma pequena história: Jogo futebol aos sábados, a popular “pelada”. Um dos jogadores é o organizador e tem a função de escalar os dois times. Ele joga em um dos times. Se ele abusar dessa posição de liderança e sempre escalar um time forte para si, uma de duas coisas podem acontecer: A pelada perde gradativamente seus jogadores e acaba, ou outro líder aparece e destituí o primeiro.

Integridade tem a ver com não abusar da posição de liderança. Não extrair para si vantagens por conta da posição atingida. Liderança sem integridade é bem comum, há uma porção de exemplos na política, no futebol e na religião. Em qualquer lugar. Mas destrói a confiança e é insustentável no longo prazo.

Propósito

Hoje em dia se fala muito em propósitos nobres. Salvar o mundo, a natureza e os fracos e oprimidos. Aqui falo de algo mais simples. O time que você lidera tem algum objetivo a ser alcançado. Pode ser lançar um produto, bater a meta de vendas, reter clientes ou ganhar um campeonato.

Fica mais fácil um time ir em uma direção se seus integrantes sabem qual é o objetivo a ser alcançado. É papel do líder fazer com que isso aconteça. Parece fácil, mas em muitas situações nem o líder sabe claramente qual é o objetivo. Logo, em primeiro lugar o líder tem saber bem claro qual é o objetivo, além disso saber também o por quê dele. Depois desse passo, explicar o objetivo e os por quês para o time. Isso exige uma boa dose de transparência.

Indo um pouco mais fundo, o ideal é montar um time com pessoas que acreditam no que você acredita. Vocês já notaram que torcedores de um mesmo time se simpatizam um com outro mesmo antes mesmo de se conhecerem, o mesmo acontece com pessoas do mesmo país. O Simon Sinek tem uma palestra que explica isso mais a fundo. Mas resumindo (bastante), isso acontece porque pessoas que compartilham um mesmo conjunto de crenças (compartilhado por torcedores de um time de futebol ou cidadãos de um mesmo país) confiam mais um no outro.

Um líder pode usar isso a seu favor. A primeira coisa a fazer é comunicar claramente no que você acredita para o time e se comportar de acordo. Aliás, ainda antes disso, é fazer um exame de consciência e identificar as coisas em que você acredita para saber o que comunicar. Aqueles que se identificarem com suas ideias vão desenvolver um nível de confiança elevado, e agir como um time, uma tribo.

Flexibilidade

Nem todas as ideias (boas ou ruins) tem que necessariamente sair da cabeça do líder. Aliás, nos times de alta performance, a maioria das ideias nasce dentro do time. Para isso acontecer é necessário que o líder seja flexível, saiba ouvir e não fique muito aferrado a suas ideias.

Pode parecer em conflito com que eu escrevi acima em relação a propósito. Mas ideias e crenças não estão escritas em pedra. E isso é particularmente importante nos dias de hoje, em que tudo muda a todo instante. É preciso estar disposto a mudar de planos quando muda o cenário. Como dizia Raul Seixas: “Prefiro ser aquela metamorfose ambulante… do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Ajuda muito ter em mente qual problema você está tentando resolver, não se apaixonar pela sua ideia (ou produto), mas apaixonar-se sim, pelo problema que você quer resolver.

FONTE: //www.linkedin.com/pulse/o-que-aprendi-sobre-lideran%C3%A7a-em-25-anos-ant%C3%B4nio-gerassi-neto?articleId=6632680487276081152#comments-6632680487276081152&trk=public_profile_article_view

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