‘Temos que observar o que realmente impacta no negócio, não só robôs’

Para a diretora da área de consultoria da Totvs, Simone Salomão, o advogado  costuma pensar somente em robôs e inteligência artificial como forma de impactar o seu negócio. Mas há outras “pequenas coisas” que precisam ser notadas pelos profissionais para realmente melhorar o negócio em geral – especialmente do ponto de vista da capacidade de gestão empresarial.

“Com tantas soluções e aplicações, eu me pergunto: ‘quais passos tenho que dar primeiro?’ A gente acaba não olhando para a estrutura do nosso próprio escritório, mas observamos que o concorrente está utilizando um robô que não temos”, declarou SImone, nesta sexta-feira (26/10), na Fenalaw, congresso jurídico que está sendo realizado em São Paulo.

Para ela, antes de começar com a utilização de robôs e outras ferramentas digitais disponíveis no mercado jurídico, os escritórios e advogados precisam se preocupar com a gestão administrativa do negócio e “estruturar as informações do escritório”.

“Temos plataformas de gestão de contrato, monitoramento do Legislativo, plataforma de negociação de acordo, mas esquecemos que em um momento da negociação que os clientes desejam falar com um outro ser humano. O nosso cliente também é gente”, afirmou Simone, acrescentando que o advogado não pode atribuir todas as suas funções para um robô ou para a inteligência artificial. “Não podemos tratar pessoas como robôs.”

Em sua avaliação, o advogado precisa observar a concorrência e pensar em maneiras de impactar o seu negócio, mirando especialmente em práticas globais de mercado.

“Não competimos mais com o advogado brasileiro, e sim com o profissional do mundo inteiro. Temos que observar aspectos como: quem está investindo no mundo e no país? Quem no escritório fala mandarim, para possibilitar negociações com investidores? O que eles querem? Como investem? Isso se chama gestão”, apontou Simone.

Neste cenário, ela também destacou a importância do atual profissional se interessar por gestão administrativa. Para ela, há muitos advogados que são excepcionais juridicamente, mas pecam ao não demonstrarem interesse por ferramentas de gestão e captação de clientes.

Simone acrescentou que é necessário pensar em aspectos de gestão como: a estrutura societária do escritório, inclusive quando o principal sócio deixar a banca ou se aposentar,  como trazer novos sócios e na nova geração de advogados.

“A nova geração é boa. São digitalizados, interessados e sabem trabalhar em equipe. O que acontece é que queremos encontrar alguém igual ao sucessor. Isso não existe. Tem gente que sabe vender, outros lidam melhor com as pessoas. O gestor precisa detectar o ponto forte de cada um”, afirmou.

 

Por: Alexandre Leoratti

Fonte: https://www.jota.info/carreira/negocios-robos-impacto-26102018

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