Tradicionais faculdades de direito no Brasil abrem cursos para abordar criptomoedas

Mesmo que ainda não exista uma regulamentação clara sobre as criptomoedas no Brasil, tradicionais instituições voltadas para a área jurídica perceberam no setor um importante nicho de negócios e uma importante demanda de estudantes interessados em se especializar no assunto. Para isso, tradicionais faculdades como Damásio, Mackenzie e Unip, estão com cursos abertos que unem direito e Bitcoin.

No entanto, o pioneirismo na área cabe à Poli, Escola Politécnica da USP, que, em parceria com a Escola de Direito da USP, iniciou, há 6 meses, o curso de pós-graduação em Direito e Tecnologia da Informação, que, como mostra reportagem do Estadão, já atraiu estudantes como Tatiana Casseb Ticami, coordenadora do livro “Bitcoin e Altcoins, a revolução das moedas digitais”.

“Sempre gostei de tecnologia, mas não tinha muita aptidão para matemática, por isso nem pensei em cursar engenharia. Hoje, gosto de trabalhar com o tema, como advogada”, diz Tatiana, que ouviu falar sobre Bitcoin durante um estágio e acredita que a tecnologia representa um futuro promissor também para a área jurídica.

“AS NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO SÃO O FUTURO PARA OS ADVOGADOS. QUESTÕES COMO A PROTEÇÃO DE DADOS DOS CLIENTES VALEM PARA TODOS, EM QUALQUER ÁREA QUE ATUE”, AFIRMA.

E, assim como Tatiana, muitos outros estudantes têm buscado especializações na área, como mostra um dos idealizadores do curso pioneiro na Poli, o professor Edson Satoshi Gomi, que é engenheiro da computação:

“SOU ENGENHEIRO DA COMPUTAÇÃO, PROFESSOR, E PASSEI A ATUAR COMO PERITO EM AÇÕES JUDICIAIS. PERCEBI UMA DIFICULDADE DE COMUNICAÇÃO ENTRE ENGENHEIROS E ADVOGADOS. SENTI QUE EU TINHA MUITO A APRENDER SOBRE DIREITO PARA FAZER MELHOR O TRABALHO, E VICE-VERSA. NA ÉPOCA [EM QUE O CURSO FOI LANÇADO] A GENTE SE PERGUNTAVA SE HAVIA DEMANDA. SEMPRE FORMAMOS TURMAS, E O INTERESSE TEM SIDO CRESCENTE”, AFIRMA O PROFESSOR.

Já o coordenador da pós-graduação em Direito Digital da Faculdade Damásio, Coriolano Camargo, destaca que a especialização é importante não apenas para formar novos advogados aptos a atuar em questões ligadas às criptomoedas e à nova economia digital, mas também para que eles não venham a se tornar “obsoletos” em um mercado que também está em constante transformação.

“A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) É CAPAZ DE COMPILAR DADOS E INFORMAÇÕES, E ATÉ REDIGIR PEQUENAS PETIÇÕES, ANTES FEITAS POR ESTAGIÁRIOS E ASSISTENTES JURÍDICOS. OS PROFISSIONAIS AGORA PRECISAM APRENDER A ALIMENTAR A BASE DE DADOS, A SEREM CURADORES DA IA, TRABALHAR COMO PESQUISADOR E ANALISTA DE DADOS”, EXEMPLIFICA.

No caso do Mackenzie, a instituição oferece o curso de Compliance Digital, que terá sua primeira turma aberta agora em agosto. Na instituição, a pós-graduação é oferecida em conjunto pelas faculdades de Direito e de Tecnologia.

“OS RESPONSÁVEIS PELA TI PRECISAM SABER DOS LIMITES JURÍDICOS DE SEUS ATOS. E, PARA SE DESENHAR UM PROGRAMA QUE DE FATO TENHA UTILIDADE PARA O USO JURÍDICO, UM ADVOGADO PRECISA PARTICIPAR DO DESENHO. HÁ INFORMAÇÕES QUE ESTÃO APENAS NO MEIO ELETRÔNICO. COMO SE FAZ PARA CONSEGUIR ESSAS PROVAS? COM A OPERAÇÃO LAVA-JATO MUITAS QUESTÕES DE COMPLIANCE DIGITAL COMO ESSA VIERAM À TONA”, AFIRMA IVAN LUÍS MARQUES DA SILVA, COORDENADOR DO CURSO.

De acordo com o Estadão, outra especialização que se inicia em agosto é a de Tecnologia e Ciência de Dados Aplicados ao Direito da Universidade Paulista (Unip).

“ATÉ OS CONTRATOS ESTÃO MUDANDO COM A BLOCKCHAIN. MAS, MESMO OS RECÉM-FORMADOS EM GERAL NÃO ESTÃO PREPARADOS PARA ESSA NOVA REALIDADE. PRECISAMOS MODERNIZAR A CABEÇA DOS ADVOGADOS”, AFIRMA MARIA CONCEIÇÃO CASSIOLATO, COORDENADORA DA PÓS-GRADUAÇÃO DA UNIP.

 

 

Por Cassio Gusson

Fonte: https://www.criptomoedasfacil.com/tradicionais-faculdades-de-direito-no-brasil-abrem-cursos-para-abordar-criptomoedas/

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